Antes de contar das minhas outras prendas de anos (e obrigada por todas!), senti que era urgente falar do concerto estupidamente bom a que fui ontem à noite.
O anfitrião da noite cantou e encantou.
Tenho pena de não ter escrito logo a seguir porque tinha ainda mais presente e concentrado aquele feeling mágico. Foi sem dúvida um concerto memorável.
Rufus Wainwright falou dos portugueses da sua terra natal (Montreal - Canadá), de como se recorda de ir provar os seus cozinhados e de como são bonitos! É verdade, Rufus não esconde a sua homosexualidade e parece vivê-la muito naturalmente... Também não esconde o seu rabinho, que digo desde já, é mesmo bom! Mas disso falarei mais à frente...
Nos seus pequenos discursos entre músicas, falou, falou, falou... E é tão boa essa partilha...!
Falou de como as suas músicas são quase sempre sobre si, fez brincadeiras com esse facto, quase tentando desculpar o seu pseudo-narcisismo; dedicou músicas à família, falou da irmã, do pai e da mãe.
"Contou-nos" sobre o telefonema da mãe durante a tarde, no qual lhe falou da atribulada viagem até ao local onde aquela ia dar um concerto: Pelo caminho, entre outras peripécias, houve ali uma viagem de comboio que incluíu um atropelo de uma vaca... o que não deixa de ser irónico pois parece que o seu último trabalho se chama "
La vache qui pleure" - a vaca que chora - pergunto-me se este título não será em oposição à outra vaca francesa, a do queijo! -
La vache qui rit?
O encantador Rufus fez ainda reparos ao jogo de futebol de ontem, o que só indica que é um jovem interessado que faz alguma pesquisa sobre os sítios onde vai tocar. Fez ainda referência ao feriado que hoje se vive.
O que contou mais... ah! A sua experiência com a religião... pelo facto de não ser baptizado. não podia comungar, não podia confessar-se... e por não ter a primeira comunhão não recebera um terço que brilhava no escuro, como todos os seus coleguinhas... Então na missa, basicamente ficava sentadinho "sugadito" lá atrás (como ele disse) "
playing with myself"...
Quando a audiência riu com esta expressão ele acrescentou: "
as opposed to staying in the front and being played with by the priest"...
Para bom entendedor meia palavra basta, o mordaz Rufus fez soltar uma grande gargalhada que ecoou em toda a sala.
Foi uma pena quando terminou, mas caramba, saí de lá de barriga bem cheia, consumi cada segundinho de concerto. Os bilhetes valeram todos os cêntimos.
Hoje vai estar no Porto e só apetece ir a correr até lá para viver tudo de novo.
É verdade! Não me importava de ouvir de novo a primeira parte tocada pela JOAN AS POLICE WOMAN - uma promissora voz que faz também parte da banda do Rufus -
back vocals, guitarra e violino... par além da homenagem a Elliott Smith (!) e de tudo o resto...
Não me importava de ver novamente aquele
encore que sei que nunca mais vou esquecer!
E passo a contar:
Imaginem um concerto, já por si muito bom apenas com a qualidade musical que já conhecemos a um artista que consta entre os nossos preferidos, principalmente quando o seu último trabalho é daqueles que enchem as medidas a qualquer ouvido bem apurado.
Quando até já nos sentimos com o espírito confortavelmente alimentado... a banda volta para o
encore (como sempre...) e a certa altura, de repente, as luzes apagam-se e apercebemo-nos de algum tumulto no palco... "voltam"então todos em tanguinha (e soutien, as meninas), o guitarra está de pirata (com direito a pala no olho e papagaio!), a menina loira parece uma meretriz de cabaret, a menina morena (a tal Joan) idem, e baterista, orgão e baixo, tudo na mesma onda... com o Rufus dá-se o verdadeiro "Butterfly Effect"...
Só visto...!
De tanga brilhante de tom púrpura, fio dental, (daí dar para ver a bela da peida canadiana!)
Entre os seus
stage props incluiam-se ainda uma varinha mágica de estrelinha na ponta, uma coroa, umas asinhas de borboleta (!) e uma faixa a tiracolo contendo o título de "Miss Lisboa"... Epah... FOI LINDO!!!
Epah... eu já não aguentava. E às tantas ele diz: "Estão a ver o que vos acontece quando assinam um contrato com uma discográfica? Ficamos maluuuucos!" E com a varinha e asas de borboleta bamboleia-se pelo palco...
...a sério... eu acho que morri e fui para o céu, de tão extasiada que estava!
A música seguinte já foi tocada com chapéu de feiticeiro e capa negra... rabinho (mais) tapado quando:
"-E será que os Kean boys fizeram isto?" - e mostrou o rabinho! (da última vez que cá esteve foi a fazer a abertura de Kean)
Fiquei a gostar ainda mais dele! Daquele gayzinho querido!
A música final foi tocada com a malta toda de roupão clarinho. Ai... foi mesmo bom...
Depois deste concerto magnifico, ainda encontrei o meu amigo JP que não via há p'raí um ano!
A ti não te vi!
E a seguir ainda fomos matar a fome a um restaurante absolutamente delicioso bem pertinho do Lux, chamado Casanova. (muito giro! comida italiana, e boa!, serviço ultra-rápido, cada duas pessoas sentadas frente a frente, têm uma luzinha que acendem quando querem chamar o empregado! Um conceito muito, muito engraçado.
Ai... que óptima forma de começar o dia a relembrar (quase exaustivamente) a noite de ontem.
Adorei a minha primeira noite com 25 anos. Se todas fossem assim estava eu feliz da vida!
;o)